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23 de junho de 2013

Saúde no Brasil - Maxx e Mariana Rangel


Um sistema de saúde depende de recursos humanos, materiais, tecnológicos, financeiros e organizacionais, além de um rígido controle e aferição de resultados. A quantidade de tais recursos deverá ser suficiente para atender a demanda no que se refere à quantidade, acessibilidade, distribuição e qualidade dos serviços.

O funcionamento do sistema necessita de todos os elementos pois a ausência de um deles - qualquer um - resultará na ineficácia do todo, isso é exatamente o que temos na atualidade. Importante destacar que o Brasil tem uma grande extensão territorial e os problemas que o sistema de saúde enfrenta no sul são diferentes do sudeste e não são iguais no norte. Em cada lugar o sistema falha por ausência de um ou mais elementos necessários.

No Brasil muitos são os resquícios de uma medicina curativista que em regra não se preocupa com a(s) causa(s), dando ênfase a doença e não a saúde. Trata-se de um modelo que privilegia a indústria farmacêutica e os exames altamente tecnológicos e caros, muitas vezes expondo o paciente a exames desnecessários. Países como Canadá e Cuba - que apresentam excelentes resultados nos índices de saúde da população - têm sua atenção voltada para a medicina preventiva que além de mais barata mostra excelentes resultados.

Ultimamente tem acontecido uma mudança nessa realidade através de alguns programas tais como o ainda jovem PSF (atual ESF - Estratégia de Saúde da Família) e ao indiscutivelmente bem sucedido programa de vacinação. Mas ainda há muito o que se fazer para que o caráter do sistema de saúde seja totalmente voltado para a prevenção. Um dos motivos da superlotação nos hospitais dos grandes centros (que tanto é questionada) é a falta da medicina preventiva, inflando todo o sistema.

A vinda dos médicos estrangeiros, em especial os Cubanos, será um avanço na prática da medicina preventiva barata e eficiente. O contato com esses profissionais poderá acrescentar muito aos envolvidos com a saúde no Brasil. Poderão suprir a demanda onde há real carência em locais onde pessoas morrem por enfermidades básicas. Mas não basta isso, o governo precisa investir em hospitais, equipamentos, medicamentos além de dar condições aos profissionais de desenvolverem procedimentos de alta tecnologia.

A falta de médicos no país e a concentração dos mesmos nos grandes centros (em especial na região sudeste) são outros problemas que não podem ser ignorados. Segundo uma pesquisa apresentada pelo CRM, no Brasil em 2011 havia 1,8 médico pra cada 1000 habitantes. A projeção é que só em 2050 teremos 4,3 médicos para 1000. Isso é insuficiente e para efeito de comparação em Cuba atualmente essa proporção é de 6,4 médicos para 1000.


Leia. Pense. Participe.

5 comentários:

SERGIO AZEVEDO disse...

Parabéns à dupla pelo excelente artigo. Nosso país só vai ser melhor quando as pessoas passarem a discutir suas ideias e opiniões com profundidade e racionalidade.

Queila Oliveira disse...

Parabéns Mari e Maxx pela escrita deste texto. Este é o caminho: discutirmos e expormos nossas opiniões de forma saudável e inteligente. Parabéns!!

Queila Oliveira disse...

Mari e Maxx, esse texto ficou muito bom. Fico feliz em ver opiniões diferentes sendo colocadas de forma inteligente. Parabéns!!!

Alexandre da Rocha disse...

Temos que valorizar primeiramente nossos profissionais e fazer crescer o números de médicos registrados no Conselho Regional de Medicina, já que o Brasil forma milhares desses profissionais todo ano, sendo que muitos engajam por outras carreiras por falta de um ordenado representativo. Temos que melhorar, desde a estrutura das Universidades Federais e Estaduais de medicina, até (e principalmente) os postos, pronto-socorros e hospitais do nosso Brasil. Me parece que Estamos fazendo com a medicina, o que fizeram com a imigração no Sul, quando importamos imigrantes sem eira e nem beira da Italia, Alemanha e etc, dando-lhes todo apoio logístico e financeiro para ocupar o Sul do Brasil, enquanto tínhamos uma enorme demanda de negros (descendentes de escravos) precisando desse apoio logístico do estado para se estabelecerem como cidadãos. Deixamos os ex-escravos favelizando os centros urbanos, enquanto os imigrantes desenvolviam a agricultura e se restabeleciam como gente. Precisamos desenvolver o Brasil com Brasileiros, pois não somos poucos e não fugimos à luta! Alexandre Costa

Maxx disse...

Alexandre da Rocha,

obrigado por sua visita e comentário.

Comentar e trazer ao assunto vários pontos de vista é justamente o que precisamos numa democracia. Se isso tivesse sido feito quando da importação de imigrantes hoje nosso país seria diferente.

Não concordo com seu ponto de vista, no que se refere aos médicos, no entanto discutamos agora para cobrarmos uma política eficaz, seja de uma forma ou de outra.

Se tiver um texto que exponha melhor sua visão do assunto e quiser publicar por aqui será bem vindo.

Grande abraço.

Maxx.

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