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31 de março de 2013

Quem elege os políticos no Brasil?

Machado de Assis em 1876 escreveu que "70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, por divertimento. A Constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado".

No Brasil qualquer pessoa pode ter carteira de habilitação e exercer a profissão que desejar. Para isso deve preencher vários requisitos e demonstrar através de provas que está apto a dirigir (no caso da habilitação) e tem a escolaridade necessária (no caso da profissão). Em ambos os casos é normal que haja despesas que deverão ser pagas pelo interessado.

Um motorista devidamente habilitado será punido e poderá ter suspenso seu direito de dirigir se agir em desconformidade com as leis de trânsito. Um profissional é responsável por seus atos de ofício e assume riscos ao desempenhar suas funções de forma temerária ou em desacordo com a boa técnica.

E para ser eleitor o que precisa?
Escolaridade? Não.
Experiência? Não.
Conhecimento mínimo a respeito do assunto? Não.
Existem despesas? Não.
Faz alguma(s) prova(s)? Não.
Precisa saber o que é votar para votar? Não.

Nada é necessário. Não se exige absolutamente nada para ser eleitor.

Não precisa saber o que é eleição para ser eleitor.

Isso é uma estranha e muito suspeita facilidade no país conhecido por sua histórica burocracia cartorial.

Os documentos necessários para tirar o título de eleitor são identidade ou certidão de nascimento, comprovante de residência e se for homem a quitação militar. Basta levar esses documentos no cartório eleitoral e pronto - temos mais um eleitor brasileiro pronto para fortalecer a nossa democracia de botequim.

E chega o dia da eleição. O eleitor vota como se estivesse em um circo. Compromete seriamente a viabilidade do futuro do país (re)elegendo pessoas comprovadamente incompetentes e desonestas. Dois anos depois o eleitor estará lá para repetir sua "rotina cidadã".

Isso não é, nunca foi e nunca será democracia.

São mais de 71 milhões de eleitores não têm o nível fundamental completo. Pode-se afirmar seguramente que bem mais da metade do eleitorado brasileiro nunca leu um livro, seja por não saber ler ou por não ter acesso a livros. Não sabem diferenciar um prefeito de um deputado federal. Mas votam, e votam em qualquer um de qualquer jeito por qualquer coisa.

Imagine-se agora em um restaurante japonês. Vem o cardápio escrito em japonês. Chegou a hora de escolher a refeição. Você olha o cardápio. Aponta para a foto de um prato. Está feito o pedido. Você não tem a menor idéia do que pediu mas cumpriu o que se esperava de você - que era pedir alguma coisa. Isso é exatamente o que acontece com a grande maioria dos eleitores no Brasil.

Antes de falar mal deste que escreve (não sou preconceituoso com porra nenhuma) olhe o perfil do eleitorado brasileiro em 2012 segundo dados do TSE:














































































Eleitores brasileiros por grau de instrução:

Analfabetos: 7.781.718
Lê e escreve: 18.681.219
Fundamental incompleto: 44.813.264
Fundamental completo: 10.376.992
Médio incompleto: 27.622.494
Médio completo: 20.380.804
Superior incompleto: 4.303.891
Superior completo: 6.165.894

Aquele que não estudou medicina não pode exercer tal profissão. Quem não está habilitado não pode dirigir. Então, qual seria a justificativa para não existir nenhum tipo de requisito mínimo para ser eleitor?

Falar que é democracia não transforma em democracia, afinal, até a Coréia do Norte se chama "República Democrática Popular da Coréia"...

Não há liberdade onde não há formação e informação. Isso, de per si, não garante nada mas já é um começo. Ainda que o conhecimento não resolva todas as questões certamente não será a ignorância que irá fazê-lo.

Brasil. Um país de eleitores tolos e políticos hipócritas.

7 de março de 2013

No Brasil nada funciona

Afinal, o que funciona por aqui?


Meu celular sempre fica sem sinal. Diariamente, em algum momento, fico sem telefone fixo e conexão com a internet, que são de outra empresa. Sou obrigado a receber energia elétrica da fornecedora que monopoliza a prestação de um péssimo serviço. Tenho certeza absoluta que quando usar meu plano de saúde terei problemas. O banco sacaneia cobrando taxas e mais taxas que ninguém consegue explicar - nem entender. Mudei de posto para abastecer o carro por causa da grande possibilidade da gasolina estar adulterada.


Então a(s) coisa(s) não está(ão) dando certo e finalmente ligo para o SAC. Contudo, os telefones para atendimento dos prestadores de serviço, não raro, também não funcionam e quando atendem deixam conversando com máquinas sem dar opção de falar com pessoas. Ainda que por milagre alguma pessoa atenda, não será resolvido o problema, mas certamente existirá uma explicação maltrapilha o no final do atendimento - cheio de frases decoradas e contraditórias - será passado um número de protocolo com trocentos dígitos. Tudo bonito e o(s) problema(s) continua(m).


Perco a paciência. Entro em contato com as agências que fiscalizam os prestadores de serviço. Repito toda a história e passo várias informações. Nada de solução. Embora haja um razoável atendimento, é ineficaz pois tudo continua como antes.

E o cidadão chega ao limite e resolve processar todo mundo. Mesmo tendo razão e sendo isso confirmado anos depois por uma sentença com trânsito em julgado, o judiciário entende que o dano moral existiu e deverá ser ressarcido por uma merreca de dinheiros.

Indenizações por danos ao consumidor miseráveis são um estímulo a continuidade da prestação do serviço de péssima qualidade. Sai mais barato pagar umas merrecas na justiça para alguns do que prestar o serviço com qualidade adequada para todos. O judiciário cria uma relação custo/benefício favorável a quem descumpre as regras.


Voltemos à pergunta inicial. O que funciona?

A resposta pode ser resumida em uma única palavra: cobranças.

Todos os prestadores de serviço - que não prestação o serviço adequadamente, não atenderam suas ligações, não foram punidos pelas agências reguladoras e não foram devidamente condenados pelo judiciário - cobram, e cobram muito caro e regularmente, como um relógio, pelo péssimo serviço que prestaram.

Os entes públicos invariavelmente cobram seus tributos após não terem feito nada de bom por você. São taxas, impostos, tarifas que nunca acabam. E se tudo isso ainda não for suficente aumentam as alíquotas ou criam um fundo disso e daquilo para arrecadar mais e mais.


E qual o motivo de nada funcionar? O motivo é uma outra história que começa na (falta de) educação...

Brasil. Um país de tolos.

5 de março de 2013

Mega-eventos onde pessoas não tem o básico


Algumas especulações sobre qual seria a justificativa para se promover a Copa do Mundo e as Olímpiadas no Brasil.

Primeiro cinco especulações "Polyana":

1 - resolvemos o problema da educação e podemos, portanto, aplicar o excedente de recursos para promover esses eventos esportivos.

2 - temos um povo cujas necessidades básicas foram plenamente atendidas havendo agora a necessidade de auto-afirmação perante o resto do mundo.

3 - temos o esporte amador altamente desenvolvido e são tantos os patrocinadores que somente através de tais eventos teriam a visibilidade necessária para suas marcas.

4 - temos uma forte indústria de turismo e hoteleira e necessitamos desses eventos para preencher as vagas excedentes no ramo.

5 - temos um país cuja taxa de criminalidade é extremamente baixa, tornando-se atraente para realizar eventos desse porte.

Agora cinco especulações "um pouco" mais realistas:

1 - por serem eventos altamente concentradores de renda tornam-se interessantes para uma meia dúzia de pessoas que ganharão rios de dinheiro.

2 - temos uma população com péssima escolaridade, mais acessível e vulnerável ao circo ufanista que se transforma o país durante a realização de tais eventos.

3 - temos uma classe política corrupta e isso facilita as alterações legais necessárias para a realização de tais eventos, ainda que haja inclusive ofensas à soberania da nação.

4 - eventos desse porte funcionam como anestesiantes das massas o que é útil à classe política.

5 - como temos tradição pela impunidade os responsáveis pela realização dos eventos podem desviar muito dinheiro tendo quase certeza que tudo se resolverá em momento posterior.

Seja como for, quem paga a conta é você.
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