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22 de fevereiro de 2013

Fadjen

Somos animais e isso não é pejorativo. É uma constatação que, de tão óbvia, pode parecer desnecessária mas sempre surge alguém e diz "somos animais racionais". Não existe essa de animal racional (nós) se contrapondo ao animal irracional (os outros). Essa negação da condição de animal já é irracional por si. Isso é mais uma bobagem que deveria ter morrido junto com o século passado.

Somos animais e ponto. Podemos escolher seguir a via da razão - sendo então racionais - ou não. Essa racionalidade no homem se mostra ao observar como lidamos com os outros animais e com o meio-ambiente. Isso não tem nada de bicho-grilo. É uma necessidade pois dependemos da natureza para existir. Maltratar, destruir ou matar por prazer ou dinheiro é patológico. Nunca racional.

Ocorre que em vários lugares do mundo maltratar e/ou matar touros - em nome de uma tradição que na verdade esconde interesses financeiros - é comum. Seja em touradas, rodeios, corridas, etc. Alguns defendem que os touros são animais violentos e que nunca poderiam ter outra finalidade que descartasse a violência, pois seria da natureza desse animal ser bravo e atacar. Os mais ingênuos acreditam nisso.

Fadjen e Pablo Knudsen

Mentiras, mentiras e mais mentiras. Animais são animais e se forem bem tratados, possivelmente, serão dóceis com aqueles que os tratam bem. Por isso tratamos bem os nosso amigos. Somos animais e nossos amigos nos tratam bem - ou não seriam nossos amigos. Simples assim.

Navegando pela net descobri Fadjen e Pablo Knudsen. O primeiro é um touro espanhol que estaria condenado a morrer na arena. O segundo é um humano que resolver adotar o primeiro. Formaram então uma inusitada dupla. Viram como a frase "morrer na arena" remete a tempos distantes...

Fadjen foi adotado ainda filhote e hoje - 3 anos e uns 500 kilos depois - tornou-se um símbolo anti-touradas. Para isso os dois visitam escolas, participam de conferências, fazem passeios pelas cidades francesas e mostram às pessoas que a agressividade natural do touro é um mito. Fadjen, habituado aos passeios desde jovem, "faz festa" quando vê o cabresto que indica a hora da caminhada. O touro anda tranquilo pelas ruas e parece mesmo gostar da presença das pessoas.

Fadjen e Pablo Knudsen em Paris

Esse comportamento pacífico de Fadjen me fez lembrar de "Ferdinand, o touro". Uma animação bem antiga (1938) da Disney que mostra um touro que curte a paz, as flores e o convívio com outros animais. Fadjen e Ferdinand têm muito em comum. No link dá para ver mais sobre Ferdinand.

No Brasil não temos touradas, mas temos rodeios, temos a farra do boi e outras maluquices cujo resultado prático é maltratar o bicho para que pessoas se divirtam. Farra do boi eu não sei, mas rodeio é uma indústria que fatura alto. Pessoalmente, não consigo ver graça numa pessoa agarrada como um carrapato nas costas de um animal que pula desesperado tentando livrar-se do "parasita".

Não bastasse os bovinos nos darem leite, couro, carne e mais uma infinidade de coisas, até quando ainda terão que ser expostos à crueldade desnecessária para que uma turma se divirta (diversão???) e outra ganhe dinheiro (muito dinheiro!!!).

Voltando ao Ferdinand, digo, ao Fadjen. Para comemorar o aniversário de 3 anos o site "Fadjen, o touro anti-touradas" foi atualizado e pode-se encontrar vídeos, fotos e histórias interessantes. Siga o link: www.sauvons-un-taureau-de-corrida.com/. Quem preferir pode ver no Youtube: http://www.youtube.com/user/fadjen/videos?view=0&flow=grid.

Para encerrar. Você pode gostar de tourada, farra do boi, corrida de touros, rodeio, etc. Mas não se considere racional. Isso você ainda não é.

Isso não é racional e quem gosta também não

19 de fevereiro de 2013

Yoani Sánchez x Liberdade de expressão

Yoani Sánchez, a famosa blogueira cubana, chegou ao Brasil e foi recepcionada por pessoas que por não concordarem com ela resolveram protestar. Democracia é isso. Não gostou? Proteste. Parece-me que isso é o que ela quer no país dela. O direito de protestar.

Curiosamente, as pessoas que no Brasil estavam protestando por discordar da blogueira se estivessem em Cuba e resolvessem fazer um protesto contra o governo seriam presas por protestar. Até onde sei a liberdade de expressão nunca foi o forte daquele país. Nem mesmo antes de Fidel, quando Fulgencio Batista era ditador naquelas terras.

Tenho visto em vários blogs questionamentos sobre a idoneidade da Yoani Sánchez. Ela seria "uma agente da CIA" bancada por sei lá quem. Teria morado na Europa e retornado para Cuba por não ter dinheiro. Recebeu um prêmio que equivale a milhares de salários de um cubano e muitas outras coisas do gênero.

Se a mulher é mocinha ou vilã - coisa infantil isso - não faz a menor diferença pois o assunto é a liberdade de expressão que em Cuba continua não existindo. Por melhores que sejam os índices disso ou daquilo a liberdade de expressão em Cuba continua não existindo. Por mais que se admire a história da revolução cubana com seus heróis (ou não) a liberdade de expressão em Cuba continua não existindo. Deve-se entender que:

LIBERDADE DE EXPRESSÃO É INEGOCIÁVEL

Graças a isso podemos ter as manifestações mais plurais, criativas e democráticas. Graças a liberdade de expressão você está lendo isso aqui e pode discordar que está tranquilo. Então se você é de esquerda, direita, centro ou qualquer outra merda, aprenda que defender a liberdade de expressão é defender a sociedade, que inclui você também.

Agora vejamos - o que efetivamente faz da Yoani Sánchez uma pessoa tão odiada pela turma que estava protestando? Ela escreve em uma página da internet que - presumo - "ofende" o governo cubano e/ou seus admiradores.

Ora, então se escrever uma página da internet ofensiva pode ser perigoso para a estabilidade do governo de Cuba, é sinal que o governo de Cuba está muito mal das pernas.

Capa da Edição 677 da Revista Carta Capital

A imagem acima resume bem o que acontece seja no Brasil, nos EUA, nos países europeus e em Cuba também. Quem não entende isso é tolo ou mal intencionado.

Não gostou? Proteste. Eu defendo esse seu direito.

18 de fevereiro de 2013

Imunidade fiscal e palhaçada - o Jackass gospel

Precisamos de mais investimento em educação. Só assim não teremos mais cenas ridículas como a do vídeo abaixo. Se o pastor é assim, imagina a horda que o segue. Aliás, deveriam os próprios seguidores de qualquer religião se insurgir contra essas apelações e baixarias que colocam qualquer discussão religiosa no mesmo nível de um discussão de palhaços no circo. O que esses caras querem é dinheiro. E para isso fazem qualquer coisa.

Faz pouco tempo outro pastor fez um vídeo onde "cheirava" a bíblia. Já assisti um onde outros desses palhaços entravam em um poço e gritavam que deus iria tirar as pessoas do fundo do poço se elas fossem na igreja deles, e por aí vai.

Dentro de um espaço democrático eles podem comer, cheirar, queimar, entrar em poços, rolar na lama ou fazer tudo que quiserem para parecer uma espécie de Jackass gospel. Não pode é o Estado dar imunidade tributária aos palhaços da fé - a menos que circo esteja incluído na Constituição Federal como imune.

O texto abaixo foi retirado do canal onde está originalmente o vídeo:

"O pastor Elvis Breves, da igreja Assembleia de Deus Vivendo em Cristo de São Gonçalo (RJ), gravou um vídeo polêmico, pois ele aparece rasgando com um garfo uma folha da Bíblia e em seguida comendo os pedaços dizendo que a Palavra de Deus é a melhor refeição do dia. Elvis Breves já gravou o vídeo sabendo que poderia receber críticas, mas ele não liga para elas.

Não ligo para as críticas. As pessoas precisam entender que a Bíblia é um livro como qualquer outro. O conteúdo dela é que é sagrado. Eu tenho sete Bíblias diferentes no meu iPad e isso não quer dizer que o meu iPad é sagrado.

No ano passado o pastor Lucinho Barreto, da Igreja Batista da Lagoinha (MG), virou notícia por aparecer cheirando uma Bíblia como se fosse droga e recebeu diversas críticas, menos do pastor assembleiano que compreendeu a atitude. "Acredito que o pastor Lucinho quis mostrar que devemos ser dependentes da palavra do Senhor. O Lucinho é louco por Jesus e eu sou Pirado pelo Espírito Santo", disse Elvis.

As pessoas acham uma blasfêmia cheirar a Bíblia ou comer a bíblia como eu fiz, mas elas não acham uma blasfêmia ir contra a Bíblia, colocá-la em baixo do braço, ou sair da igreja e falar mal do pastor com ela na mão, ensina ele que é formado em Direito pela Universidade Salgado Filho.

Elvis Breves trabalha com o público jovem há 21 anos e hoje usa a internet como ferramenta para ensiná-los verdades sobre a Evangelho. Eu fiz o vídeo comendo a Bíblia e todos os dias eu posto no face a campanha #EuComoBíblia! Digo Para os jovens os capítulos que li, faço um comentário e digo pra eles fazerem o mesmo. Nossas loucuras tem propósito. E o propósito de comer a Bíblia foi justamente criar a campanha para incentivar a leitura da palavra"

17 de fevereiro de 2013

Porto Maravilha - uma piada

Governos são pródigos em propagandear coisas totalmente dissociadas da realidade. Isso não é de hoje e tal prática é comum. Mas no Rio de Janeiro, tanto no governo do estado quanto nos governos municipais da região, estamos beirando o ridículo.

As UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) são tidas como a solução da criminalidade. O que fizeram foi a realocação dos bandidos que ao serem expulsos de seus territórios migraram em massa para outras partes do município/estado onde continuam se dedicando ao que fazem: cometer crimes. Pacificação? Não. O que existe é propaganda. Mas do tipo enganosa. Segurança pública de verdade começa pelo salário do professor, mas isso é um outro assunto.

Quero falar de um ponto específico e serei breve: o porto de embarque de passageiros em cruzeiros no Rio de Janeiro, o Pier Mauá, ou como foi rebatizado, Porto Maravilha. Em uma palavra: vergonhoso.

Não há como estacionar. Não existem placas. Os funcionários não sabem dar informações. Os policiais não sabem informar nada também. O asfalto das ruas no entorno é péssimo. Um odor insuportável em boa parte das calçadas. Trânsito caótico. Não há transporte público minimamente decente. E por aí vai...

Mas propaganda tem. Dá um passeio pelos links abaixo. Se você não foi lá para ver de perto a realidade do porto vai acabar acreditando que aquilo lá é muito bom. Boa só a propaganda que fazem. Fotos bonitas. Palavras bonitas. Muita conversa fiada que deve ter custado caro. Se for ao porto, tome cuidado. Guarde bem sua carteira e prepare-se para o stress. Certamente você vai se estressar.

Agora vamos a propaganda nos sites oficiais:

Site do Pier Praça Mauá - "Conheça o Pier Mauá e saiba por quê ele é considerado o Melhor Porto de Cruzeiros da América do Sul pelo quarto ano consecutivo". Fico imaginando quem foi quedecidiu isso? Certamente não foram os usuários.

Site do Porto Maravilha - "Um sonho que virou realidade" Os caras são bons de piada.

Agora a realidade:

Blog Carioca do Rio - As fotos e postagens são de 2011. Estamos em 2013 e a coisa continua como estava (se é que não piorou em alguns aspectos).

Como uma imagem vale mil palavras, então:

Calçada na avenida paralela ao Porto Maravilha "Um sonho que virou realidade" ou Pier Praça Mauá "o melhor porto de cruzeiros da américa do sul pelo quarto ano consecutivo"
Trânsito na Praça Mauá ao lado do Porto Maravilha "Um sonho que virou realidade" ou Pier Praça Mauá "o melhor porto de cruzeiros da américa do sul pelo quarto ano consecutivo"

Depois dessas duas mil palavras nada mais.

Aquele abraço.

12 de fevereiro de 2013

São adultos, crianças ou animais?

Essa pergunta fica se repetindo em minha cabeça. Seria o carnaval um momento onde adultos podem se comportar como crianças ou animais? Afinal, quem ganha com esse comportamento irracional que as massas adotam durante o carnaval?

Não pensem que sou um cara mal humorado que odeia o carnaval, nada disso. Mas é que certas coisas são absurdas, mesmo em dias de momesca diversão.

Mas voltemos ao questionamento: quem ganha com o comportamento irracional comumente demonstrado durante o carnaval?

Seria o presidente do senado que ficou esquecido e teve tempo de articular seus próximos passos para se manter no poder?

Seriam os batedores de carteira que saem em bandos pelas ruas das grandes cidades fazendo arrastões em meio aos blocos carnavalescos?

Seria a imprensa que consegue manchetes cada vez mais parecidas com as manchetes do carnaval anterior?

Sim, eu sei que tem gente trabalhando honestamente durante o carnaval, mas essas pessoas - honestas e trabalhadoras - estariam trabalhando mesmo que não fosse carnaval.

Mas o mais esquisito, mais absurdo, que por si só demonstra que somos um país totalmente subdesenvolvido é ser necessário veicular na TV uma campanha ensinando que não se pode mijar na rua.

Presume-se que adultos sabem onde devem mijar, e não é na rua.

O público alvo dessa campanha é o mesmo que elege corruptos eleição após eleição. Que aprende sobre o mundo vendo novelas. Sim, esse é público.

Uma horda de analfabetos funcionais que mija em qualquer lugar e vota em qualquer um. Importante destacar que isso nada tem a ver com quantidade de dinehiro. Tem a ver com quantidade de educação.

Mas existe uma solução. Uma única solução. Mais escolas com professores bem pagos, mais bibliotecas com mais livros, mais cinemas com mais filmes, mais museus com mais exposições ... MAIS EDUCAÇÃO DE VERDADE. Essa é a solução.


Mas se isso acontecer - a educação passar a ser valorizada de verdade e não só em discursos eleitoreiros - o analfabetismo não existirá mais em terras brasileiras e as coisas mudarão. A saber:

1 - A grande maioria dos atuais políticos não ganharão eleição nem para síndico de prédio;

2 - A imprensa terá que noticiar informações realmente importantes;

3 - O carnaval ainda será uma festa, mas sem os exageros, irracionalidades e desproporções atuais;

4 - Ladrões - seja de galinhas ou de Brasília - não vão sair impunes;

E por fim:

5 - Os adultos vão saber que votar em ladrão é igual a mijar na rua. Não pode.

Brasil. Um país sem educação.

 

2 de fevereiro de 2013

Sarneys, calheiros e malufs

O ambiente político no Brasil é um paraíso para vagabundos. Temos um povo semi-analfabeto e entorpecido por bobagens. Educação de verdade e política séria são exceções que só confirmam a regra. Mas sem essas duas coisas qualquer tentativa de tocar um processo civilizatória está condenado a falhar. Olhe a sua volta e veja. Já está falhado faz tempo.

Atualmente vemos o renascimento de crendices medievais se propagando como fogo na palha. Tais crendices são fomentadas por aproveitadores que enriquecem as custas da horda de ignorantes. Vemos o total desrespeito aos direitos mais básicos e tão duramente conquistados através dos séculos. Vemos que a desonestidade transformou-se em requisito para ocupar cargos políticos. Vemos a impunidade dos poderosos se multiplicar através das prerrogativas que eles mesmos criam para se beneficiar.

Vemos sarneys usando o poder judiciário para impor a censura e proibir a divulgação pela imprensa das investigações que apuram suas falcatruas.

Vemos malufs sendo eleitos ao mesmo tempo em que são condenados em outros países por desvio de verbas públicas. Aqui são autoridades cheios de imunidades. Lá fora são foragidos da justiça.

E vemos calheiros que pediu para sair em 2007 fugindo de uma punição, ser reeleito pela massa de alienados e conduzido ao posto máximo do congresso por seus pares.

Mas fiquem tranquilos. Nada vai dar certo. A merda é que quem paga a conta dessa farra somos todos nós.

Brasil. Um país de tolos.


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