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30 de novembro de 2013

A repetição da insanidade

No estágio atual do capitalismo país nenhum cederá grana e posição em troca do futuro da vida no planeta.

Se você se preocupa com as catástrofes ambientais que irá deixar para as gerações futuras, relaxe. Cientistas, porta-vozes dos governos de países industrializados e de federações empresariais tratam de dar um jeito de absolvê-lo.


Não somos os responsáveis por essas traquinagens. Para o banco dos réus deverão ir os processos que correm há bilhões de anos neste mundão, explosões solares, ou coisas de Deus, para os criacionistas, e das conjunções astrais, para os astrólogos.

Penso sobre isso, parado no trânsito junto ao rio Pinheiros, em São Paulo, percebendo odor insuportável. Fico calmo. Afinal, a culpa não é minha nem de quem me circunda. Passo, então, a sorrir simpaticamente a todos, inocentes.


No dia seguinte, folhas e telas cotidianas voltam a tirar-me a paz. O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), braço científico da ONU, divulga relatório que nos devolve a culpa. Pior: se antes o IPCC jogava o calor apenas nas emissões de gases efeito estufa, seu novo estudo põe a Federação de Corporações Brasil no placar.

Mudanças no uso da terra contam. Áreas desmatadas de florestas intensificam radiações que contribuem com o aquecimento, mesmo sem emitir os tais gases.

“Mas nós ainda temos milhões de quilômetros quadrados de florestas; e eles que acabaram com tudo? Só pode ser interesse comercial!”, diz o patriótico defensor do novo Código Florestal.

Paciente, concordo e sussurro: “Mas, e daí? Se o deles já era vamos repetir a mesma insanidade”?


A Amazônia tem 5,5 milhões de quilômetros quadrados cobertos por floresta tropical. Para chegar aos 7 milhões, devemos incluir as bacias hidrográficas. Mais de 60% de tudo isso no Brasil.

Até o início da década de 1970, o desmatamento esteve estabilizado, ligado a atividades extrativistas das populações locais. A partir de 1978, com a abertura da Transamazônica, o processo acelerou. Em dez anos, cresceu à taxa de 1,7% ao ano. De 170 para 377,7 mil km². A grande devastação, no entanto, ocorreu de 1988 a 2003, quando o total atingiu 648,5 mil km².

A partir de 2004, instituídos aparelhos de controle e identificação e ações punitivas, como suspender a concessão de crédito rural, permitiram um bom alívio. Até 2012, o desmatamento caiu 84%. De agosto de 2012 a julho de 2013, porém, segundo o Ministério do Meio Ambiente, houve um aumento de 28% no corte raso de árvores. Foram desmatados 5.843 km² em um ano. Piscamos os olhos?

A ministra Izabella Teixeira, diz que nada mudou no nível federal e critica as administrações locais. É pouco. Precisaria reconhecer no desmate novos ares e fins.

Caem os motivos agropecuários e crescem os especulativos: a valorização de terras próximas às construções de estradas, hidrelétricas e projetos mineratórios. Acrescente-se o afrouxamento trazido pelo novo Código Florestal. Liberação e anistia de áreas antes protegidas. Segundo o MMA, 60% dos desmatamentos ocorreram em áreas menores de 25 hectares e durante o inverno amazônico, quando a detecção por satélite é mais difícil.


Contar com as sucessivas tentativas mundiais, como agora em Varsóvia, é frustrar-se. No estágio atual do capitalismo país nenhum cederá grana e posição em troca do futuro da vida no planeta. O capitalismo mudou sua face. As transferências, antes preferencialmente coletivas, passaram a individuais.

Lembro-me do professor Antônio Cândido em entrevista sobre o fracasso do socialismo. Algo assim: “Fracasso? Sucesso! Quantos avanços do capitalismo não vieram pela pressão do socialismo?”.

Hoje em dia, aparelhos de controle do Estado, mesmo os mais eficientes, não são capazes de se impor ao rentismo arraigado no topo da pirâmide; as iniciativas privadas, além de tópicas, cedem ao primeiro vermelho contábil; os grupos ambientalistas são apontados como meios de interesses comerciais.

Nos países pobres, a contingência de sobreviver danifica o ambiente rural, e as administrações públicas deixam soltos os setores industriais e de serviços urbanos.

Convivem na Amazônia 2.500 espécies de árvores e 30 mil de plantas. Seus rios despejam no mar 175 milhões de litros de água por segundo. Povos locais ali fazem a vida e preservam uma biodiversidade que logo valerá mais do que o capital que, dizem, hoje em quase nada agregamos.

Aumentar o desmatamento na Amazônia, como no último ano, significa fazer o que loucos não fazem. Rasgar dinheiro.

Texto de Rui Daher originalmente publicado no Carta Capital.


Uma rápida observação:

Assim como a maioria resiste em aceitar a morte individual como parte do processo natural de manutenção da vida, resistência infinitamente maior é apresentada quando se fala na extinção de nossa espécie.

Mas está acontecendo sim. Estamos cavando nosso túmulo e a possível extinção de nossa espécie tem a peculiaridade de estar sendo provocada pelas insanidades da própria espécie que agarrada ao hábito de se achar superior à natureza destrói a necessária cadeia de suporte à vida no planeta.

"... por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti."

14 de novembro de 2013

Operação False Flag - Copa do Mundo e Manipulação

False flag é uma tática de guerra militar amplamente utilizada na política mundial, que por vez pode ser utilizada para fins escusos no Brasil. Esta tática consiste em utilizar da bandeira do inimigo falsamente, para se aproximar, conquistar ou eliminar o seu adversário. Por exemplo, em uma guerra um navio americano poderia se disfarçar de um navio japonês para eventualmente se aproximar do inimigo e eliminá-lo. Saiba que existem diversas convenções internacionais que regulam e determinam o que pode ou não ser feito em uma guerra, e os mecanismos de false flag possuem muitas restrições.


Este texto não se trata de técnicas militares, mas sim político-militares, artifícios de inteligência e contra-inteligência algumas vezes utilizadas na política, ou em corporações civis. Veja bem, imagine a seguinte situação: a Copa do Mundo de 2014 está chegando e diversas empresas estão prestes a ganhar rios de dinheiro, assim como políticos estão determinados a fazerem um evento de prestígio mundial. Neste cenário temos alguns agentes interessados no sucesso deste grande evento, porém encontram-se diversos obstáculos para que este evento seja bem sucedido. As barreiras do sucesso poderiam ser parte da população civil se organizando para boicotar o evento, ou um pacote de exigências legais determinadas pela FIFA que ainda não foram votadas pelo Congresso Nacional.


Neste cenário, seria importante para qualquer interessado político, ou econômico, acelerar os procedimentos que garantissem a estrutura para uma Copa do Mundo bem sucedida. Para corrigir esses impedimentos seria necessário criar um inimigo, agir em nome desse e colocar eventualmente a culpa nele. Por exemplo, depois da mídia criar alguém para ser culpado é necessário se montar uma história que a população compre como verdadeira, para só depois manipular os efeitos decorrentes. Imagine que diante do cenário atual em que se criminalizam as manifestações de rua, temos possivelmente alguns agentes para serem atribuídos a culpa.

Agora, visualize a possibilidade de que sejam implantadas alguma situação terrorista no Brasil, temos alguém pra culpar e muitos para comprar a história. Quais são os efeitos disto? Um apanhado de medidas restritivas, leis antiterroristas, mais armas menos letais, e tudo mais que for exigido pelas grandes corporações mundiais interessadas. A desculpa, é mais segurança para o povo e punição para todos aqueles que subvertem a ordem. Esse discurso já colou diversas vezes na história da humanidade, é a tal "Lei e Ordem", "Tolerância Zero", tudo em nome da segurança para tornar o "cidadão de bem" livre. Os efeitos legais normalmente são permanentes e extremamente prejudiciais para o processo democrático do país.


Talvez este fosse um cenário trágico demais para ser contado, cheira conspiração, porém diversos false flags são diariamente montados para converter a opinião pública em prol de determinados fatores políticos. Não precisa ser grande, nem escandaloso, basta ser efetivo o suficiente para que você mude de opinião em favor daqueles que detém o poder e o interesse. Em quantas operações false flag você já não foi vítima de opinião? Basta um pequeno flagrante forjado, uma vítima para pô-lo como vilão atribuindo-o a culpa e uma mídia ingênua para divulgar o evento.

Texto retirado da Fanpage Advogados Ativistas.

8 de novembro de 2013

Diego Frazão - Um menino que viverá para sempre

A foto foi registrada em outubro de 2009 por Marcos Tristão durante o enterro do Coordenador do AfroReggae, Evandro João Silva. O menino da foto chamava-se Diego Frazão e tocava na Orquestra de Cordas da ONG que fez uma homenagem ao Marcos. O menino da foto morreu seis meses depois do registro fotográfico. Sua morte foi em decorrência de leucemia que só foi descoberta, infelizmente, muito tarde. Morreu aos doze anos.


Improvável um menino que morava na favela aprendesse a tocar violino. Improvável que esse menino fosse capaz de emocionar a quem o olhasse tocar sem sequer ouvir o som de seu instrumento.

Improvável mas não impossível.

Ele aprendeu e dizem que realmente tocava bem. O menino emociona com suas lágrimas e sua história. Esse menino, cuja vida foi tão dura e breve, eternizou-se nessa imagem e nos corações de quem a vê.

Obrigado ao Marcos Tristão, cuja lente registrou a imagem. Graças a você o Diego Frazão é um menino que viverá para sempre.

5 de novembro de 2013

A inconveniência das doações eleitorais por empresas - Márlon Reis

As eleições 2012 acabaram. Fora algumas pendências judiciais localizadas, os prefeitos e vereadores de todos os municípios brasileiros foram escolhidos e empossados.

Em muitos lugares, entretanto, o resultado eleitoral pode não ter sido alcançado da forma mais democrática. É que assistimos outra vez ao festival de doações feitas por empresas diretamente interessadas no resultado do pleito.

Empreiteiras, bancos e a indústria da mineração figuram sempre entre os maiores doadores. Todas têm em comum o fato de manterem relações estreitas com o Poder Público, cujas opções políticas e contratos definirão quem lucrará mais.


Segundo dados da Folha de S. Paulo (edição de 29.11.2012),  apenas três empreiteiras investiram R$ 151,7 milhões dos R$ 637,3 milhões recebidos pelas siglas. Trata-se de dinheiro doado diretamente aos partidos e que não se pode saber ao certo a que candidatos beneficiaram. Essa manobra é conhecida como “doação oculta”, já que priva os eleitores de saberem, antes do pleito, quem fora auxiliado pelas empreiteiras ao longo da campanha. 

Nesse campo, o setor privado não é tão privado assim. Em lugar de se voltar à regulação, à prestação de serviços públicos e à elaboração de políticas de inclusão, o Estado se converte no principal provedor de empresas milionárias, recompensando-as por seus “serviços eleitorais” por meio de licitações fraudulentas ou da contaminação das decisões do Parlamento ou do Executivo.

O certo é que o dinheiro é decisivo para o alcance dos resultados eleitorais positivos. Estudo de Leany Barreiro Lemos, Daniel Marcelino e João Henrique Pederiva, analisando as disputas para a Câmara dos Deputados e para o Senado nos anos de 2002 e 2006 concluiu que “os candidatos vencedores gastaram, em média, cinco vezes mais do que os adversários” (“Porque dinheiro importa: a dinâmica das contribuições eleitorais para o Congresso Nacional em 2002 e 2006. Revista Opinião Publica”).

Isso significa, em linguagem clara, que o volume de doações impacta decisivamente os resultados eleitorais. Daí que a conquista dos grandes doadores pode ser a diferença entre a vitória e a derrota no pleito. E o pior é que, uma vez eleito, o beneficiário se sentirá obrigado a atender bem o seu doador. Assim pode ter esperança de voltar a ser ajudado nas eleições seguintes.

O resultado dessa relação é perverso e foi recentemente demonstrado em pesquisa realizada por Taylor C. Boas, F. Daniel Hidalgo and Neal P. Richardson, da Universidade do Texas: cada real doado ao longo das campanhas retorna às empresas doadoras multiplicado por 8,5.

Segundo os autores, “ao doarem para candidatos aptos a vencer as eleições, empresas brasileiras que prestam serviços ao poder público podem aumentar o valor recebido em virtude dos contratos com o governo durante o período legislativo subsequente. A extensão deste impulso nas empresas que atuam setor público – pelo menos 8,5 vezes o valor doado e possivelmente mais se for considerado todo o período do mandato, além do nosso intervalo de pesquisa de 33 meses – mantém relação com a taxa de propina que as empresas informam terem oferecido a políticos para a obtenção de contratos no passado.   Neste sentido, os nossos resultados confirmam a sabedoria convencional de longa existência no Brasil. Segundo nosso conhecimento, no entanto, este estudo é o primeiro a demonstrar que o jogo da doações-por-contratos no Brasil se estende além dos incidentes bem pulgados que foram descobertos por investigações policiais e comissões parlamentares de inquérito. Para cada empresa e político pego em flagrante, há muitos mais, cujo conluio voa sob a tela do radar. Usar doações de campanha para comprar contratos de obras públicas faz – infelizmente, mas, provavelmente, não surpreendentemente -  parte integrante da democracia brasileira” (The spoils of victory: campaign donations and government contracts in Brasil. Hellen Kellog Institute for International Studies).

Muitos outros estudos nos ajudam a compreender essa conta que não fecha para a sociedade. Mas uma coisa podemos desde logo concluir: democracia não é isso. O objetivo das empresas é o lucro e essa essa meta de forma alguma é esquecida durante as campanhas.

Além dessas razões práticas, há razões constitucionais claras para se proibir doações com essa origem. Recentemente, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, afirmou que “não há por que empresa fazer financiamento de campanhas. Esse é um dado que precisa mesmo ficar às claras. Pessoa jurídica não deveria contribuir, porque não é cidadão”.

Com efeito, tramita no Supremo Tribunal Federal ação direita de inconstitucionalidade movida pela Ordem dos Advogados do Brasil em que se busca justamente a abolição da intromissão das empresas no financiamento das campanhas.

De qualquer modo, não haverá uma Reforma Política real sem a superação das graves distorções provocadas pelas doações por pessoas jurídicas. Precisamos, país, superar essa etapa que, ante os olhos da sociedade, já não mais possui qualquer justificativa.


* Texto reproduzido com autorização e originalmente publicado no site do Autor. Recomendo clique aqui.


17 de outubro de 2013

Forças de segurança do Rio viraram polícia política - Rafael Alcadipani - pesquisador da FGV

As forças de segurança do Estado do Rio se transformaram em uma polícia política, atuando de forma desproporcional nas manifestações. A avaliação é do professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rafael Alcadipani, que analisou os enfrentamentos e as prisões em massa ocorridas ontem (15), durante protestos no centro da capital fluminense.

“Ela já se transformou em uma polícia política. Se você vê o que aconteceu ontem em São Paulo, mais de 50 pessoas foram presas, mas a Polícia Civil mostrou que não havia ligação entre elas e liberou a todas. O que está acontecendo no Rio é que a polícia está prendendo indiscriminadamente, sem muita inteligência e criando relações inexistentes entre essas pessoas. Estão agindo, infelizmente, ao arrepio da lei”, disse Alcadipani, que vem estudando o fenômeno das manifestações, principalmente relacionado ao Black Bloc.


O pesquisador chegou a comparar o que vem acontecendo no Rio com os tempos ditatoriais do Estado Novo de Getúlio Vargas e da ditadura militar (1964-1985). “Da forma como a polícia do Rio tem agido, com bastante truculência, e a prisão ontem de repórteres da rede independente Zona de Conflito, infelizmente parece que o Rio está entrando em um estado de exceção, o que é muito sério e já aconteceu na época da ditadura. Isto é preocupante, porque os governos não estão chamando para o diálogo”, destacou Alcadipani.

A chefe de Polícia do Rio, delegada Martha Rocha, contestou a avaliação do professor da FGV. Ela disse, em entrevista à imprensa, que a Polícia Civil é a defensora da sociedade. “Embora eu respeite a opinião dos estudiosos, a nossa decisão não passa pelo crivo deles. A nossa decisão passa pelo crivo do Poder Judiciário. A Polícia Civil é a defesa da sociedade. Vamos falar a verdade. Ninguém mais aguenta essa situação. Se esses estudiosos não entenderem que a Polícia Civil atua na defesa da sociedade, eu lamento muito. Mas o fato é que não estamos falando de manifestação. Estamos falando de atos de vandalismo. De pessoas que saem de casa com o compromisso da prática de delito, armadas de diversos instrumentos”, ressaltou.


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31 de agosto de 2013

Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa... Globo e o golpe de 1964


Chega a ser ridículo que agora, quase meio século depois e enfrentando diversas manifestações que expõem suas entranhas, venha a Globo fazer um mea culpa.

Mas afinal, qual a credibilidade tem um grupo que é acusado de sonegação fiscal, de apoio incondicional à ditadura por vinte anos, de manipulação de informações, de silêncio em relação às safadezas de políticos aliados, de realização de campanhas de caráter duvidoso como o Criança Esperança. Dizia Brizola que até fraude em eleições tiveram o dedo da Globo. Não duvido.

Qual a credibilidade tem o jornalismo dessa mesma empresa que acusa pessoas de cometer crimes nas manifestações e pouco tempo depois é obrigada a se retratar enfrentando a pressão da verdade mostrada nas redes sociais e publicada no exterior.


Qual a credibilidade tem o que chama de vândalos os que estão nas ruas mas se cala diante do gasto de 1,5 bilhão de reais com campo de futebol para realização de grandes eventos dos quais terá direito de transmissão e ganhará mais uma bolada. Qual credibilidade pode ter aquele que chama de quadrilha os vagabundos do PT e de cartel os ladrões do PSDB?

A perda de credibilidade é mensurável pela audiência.


Aliás, está se tornando rotina esse negócio de recuar da Globo. Já foram três vezes (que eu me lembre) em menos de 90 dias. Falaram uma coisa e tiveram de desdizer pois estavam - como quase sempre - falando mentiras. Como esquecer a cara do cidadão aí em baixo dizendo que errou e pedindo desculpas pelas asneiras que havia falado na véspera.


Será que essa turma realmente acha que sua estratégia de posar de bonzinho e sacanear por baixo dos panos vai continuar funcionando eternamente? Esse grupo está em declínio sendo uma questão de tempo sua derrocada. A cada ano perdem audiência, perdem credibilidade e perdem prestígio.

Ontem teve merda jogada na Globo pelos manifestantes. Hoje a Globo retribui jogando merda em cima de nós com esse papo de puta arrependida.


Não se iludam pois uma empresa que cresceu na mentira do golpe militar-empresarial de 64 não se transformará na verdade democrática que nosso país precisa e clama pelas ruas.


Recomendo a leitura do editorial global pois chega a ser engraçado. E se você acreditar no que eles dizem, lamento, mas você deveria estudar mais.

30 de agosto de 2013

O Sistema de Saúde do Canadá



O Canadá tem hoje um sistema de saúde muito popular, mas não foi fácil instalá-lo. Ele foi conquistado a duras penas pelo povo depois de muitos anos de luta. Agora ele lá está para ficar. Nenhum político canadense se atreve a propor a sua extinção.

A beleza do sistema canadense, o Medicare como é chamado, está na sua simplicidade. Não confundir o Medicare canadense com o Medicare americano que é também um seguro federal mas só para os cidadãos acima de 65 anos de idade. No Medicare canadense todos contribuem e por isso mesmo todos têm acesso à saúde. Os riscos são divididos por toda a cidadania.

Nesse sistema não existem exclusões por idade, enfermidades pré existentes ou perda de seguro com a troca de empregos. Os empregadores nada têm a ver com o sistema de saúde que se organiza diretamente em torno do cidadão sendo gerenciado pelos governos provincianos. Não existem tratamentos diferenciados que dependem da classe social ou do tipo do plano ou seguro saúde. E, mais importante, não existe um sistema de atendimento para quem pode e um outro para quem não tem pode pagar. Os poucos planos de saúde com fins lucrativos que existem por lá só podem dar cobertura àquilo que o Medicare não cobre, isso é, cirurgias cosméticas, tratamentos odontológicos em adultos (as crianças têm cobertura até os quatorze anos de idade) e apartamentos melhores em hospitais.

O cidadão canadense, com a sua carteira saúde, pode escolher o seu médico. Esse, por sua vez, não é um funcionário público como ocorre na Inglaterra. Ele tem o seu consultório particular e compete com os seus colegas a partir dos bons serviços prestados.

O dinheiro do cidadão, coletado na forma de imposto pelo governo federal, é repassado proporcionalmente às províncias. Essas, através de Conselhos de Saúde, com a participação da cidadania, têm uma grande autonomia no planejamento do atendimento, à saúde, determinando prioridades e negociando com as Associações Médicas e hospitais os seus honorários médicos e custos hospitalares. O cidadão de uma província tem cobertura em todas as demais. Ele também tem também cobertura fora do país para os tratamentos não oferecidos dentro do país. É interessante notar que poucos canadenses precisam de sair do país para receberem tratamentos adequados.

O Canadá gasta menos com a saúde dos que os Estados Unidos onde o sistema é uma colcha de retalhos dominada pelos planos e seguros saúde com fins lucrativos. Enquanto que o Canadá gasta 9.4% do seu produto nacional bruto com a saúde, os Estados Unidos gastam 14.4%. Os custos administrativos do sistema canadense ficam em torno de 7%, enquanto que nos Estados Unidos eles chegam a 20% incluídos aqui os lucros empresariais. Enquanto que nos Estados Unidos as empresas oferecem seguro saúde aos seus empregados, no Canadá elas não têm nenhum envolvimento com a saúde. Por causa disso os trabalhadores canadenses têm maior liberdade em mudar de emprego, especialmente quando sofrem de doença pré-existente.

Claro que o sistema canadense não é perfeito. Mas pergunte ao médico ou ao cidadão canadense se eles querem substituí-lo pelo sistema americano. A resposta será um sonoro não. Aperfeiçoa-lo, sim, o processo político democrático tem se encarregado de torna-lo cada vez mais eficiente e de boa qualidade. Os índices de saúde no Canadá não são inferiores aos Estados Unidos.

Não se entende bem porque no debate sobre o sistema da saúde a ser adotado no Brasil o modelo canadense é tão pouco conhecido. Parece que o governo e os políticos brasileiros ou não estão cientes do que se passa no Canadá ou, por razões obscuras, já decidiram copiar o sistema norte americano, inclusive com a abertura do "mercado da saúde" para as grandes seguradoras dos Estados Unidos.

Como esse é um assunto muito importante, que irá afetar o atendimento à saúde dos brasileiros não só agora como nas gerações futuras, não seria o caso de haver um debate mais amplo e bem informado sobre o que se passa no mundo, especialmente no Canadá? 
Não, está na hora dos brasileiros acordarem e tomarem as rédeas das decisões sobre o sistema de saúde que melhor nos convém. Deixar isso apenas nas mãos de interesses empresariais nacionais e multinacionais e das "leis do mercado" é caminhar na direção do desastre que já está ocorrendo nos Estados Unidos onde hoje existem cerca de 47.000.000 de americanos sem seguro saúde.

No dia 2 de dezembro de 1997 foi publicado um manifesto de protesto contra o sistema de saúde americano no Journal of the American Medical Association. Houve também em Boston uma manifestação de médicos, enfermeiras e público em geral que pertencem a uma Comissão Nacional para Salvar a Saúde (Adhoc Committee to Defend Health Care). Esse movimento agora se alastra pelo país.

Sabemos que o que é bom para os Estados Unidos nem sempre é bom para o Brasil. Mas, pior ainda, o que não é bom para os Estados Unidos, como é o caso do seu sistema de saúde, certamente não será bom para o Brasil. 


Marcio V. Pinheiro, M.D. 
Medico psiquiatra e psicanalista. 
7410 Village Road # 14 
Sykesville, MD 21784 
e-mail: mvp1@ix.netcom.com

29 de agosto de 2013

Se acusamos a PM de truculenta não podemos fechar os olhos para os outros agentes do sistema de segurança


Marginal é o que está à margem, e é correto afirmar que as atuações dos poderes e órgãos públicos no Brasil estão à margem da Constituição e do Estado de Direito.

O conflito que se estabeleceu em data recente entre Polícia Civil e Ministério Público, em razão da falsidade numa perícia elaborada por uma fonoaudióloga do Município do Rio cedida ao MP, que fizera montagem de gravação de voz para incriminar um acusado, é a ponta do iceberg do que teremos após a rejeição da PEC 37. A funcionária municipal, acusada de falsária, tentou desqualificar a perita do estado, que tem habilitação em perícia técnica, além de formação em Veterinária, e atuação em cargo efetivo de perita oficial há mais de 20 anos. A competência dos órgãos públicos é dada e delimitada pela lei. Se a lei não dá, o órgão não a tem. Estão à margem da lei as investigações criminais do MP, as perícias dos funcionários de prefeituras a seu serviço e as diligências dos policiais militares colocados à sua disposição em razão de ‘convênio remunerado’ de discutível legalidade.

Acampados na rua na qual mora o governador, jovens gritavam: “Cabral, pode esperar. O MP vai te pegar!” Coitados! Não sabiam o que diziam! No dia seguinte foram violentamente reprimidos pela polícia. A submissão da sociedade ao arbítrio da polícia e à ilegalidade estatal, cerceadora do direito de ir e vir e da liberdade de manifestação, somente é possível ante a omissão do MP no exercício do controle da atividade policial, pois enquanto investiga ilegalmente não exerce o poder que lhe atribui a Constituição.

Se acusamos a PM de truculenta, não podemos fechar os olhos para os outros agentes do sistema de segurança, dentre os quais o secretário de Segurança e o governador, que é o chefe da administração estadual. Nem para o MP, que tem o dever de promover a ação penal ante os crimes perpetrados na repressão policial. Afinal, não reagimos apenas ao cachorro que nos morde, mas também ao seu dono e ao tratador quando o instigam.

Autor: João Batista Damasceno - Doutor em Ciência Política pela UFF e juiz de Direito. Membro da Associação Juízes para a Democracia

Fonte: O Dia


23 de agosto de 2013

Nem todos os políticos no RJ apoiam as sandices de Cabral, Paes e sua turma

Assista e tire suas conclusões.


O estranho crescimento do patrimônio dos políticos governistas é público.

Isso foi já foi notícia e ninguém se explicou.

Mas afinal, como explicar???

18 de agosto de 2013

Câmaras Municipais não servem para nada

Na teoria tudo é muito bonito, as câmaras devem legislar sobre assuntos de interesse local, fiscalizar o legislativo, apurar denúncias por meio de CPI, aprovar o orçamento municipal e por aí vai.

Mas e na prática?

Na prática representam uma despesa entre 3,5% e 7% do orçamento municipal para nomear ruas e gozar de inúmeros privilégios.


Todas as atribuições das câmaras municipais podem ser (e são) feitas por outro órgão que já exista.

Por exemplo: para legislar: temos as câmaras estaduais, câmara federal, senado e congresso nacional;  para fiscalizar o executivo: temos entre outros o TCU e o TCE; para apurar denúncias: temos o MPE, o MPF, a polícia civil, a polícia federal e outros mais.

Não faz sentido manter milhares de pessoas - são milhares de vereadores além de assessores em todo o Brasil - recebendo para não fazer absolutamente nada de útil.

Mas e sem as câmaras quem nomear as ruas????

Quem mora na rua...
sai de graça e é muito mais democrático.

Em resumo:
Câmaras Municipais não servem para nada.

16 de agosto de 2013

Democracia X Democracia formal


Todo governante que para se manter no poder ou implementar suas políticas tenha necessidade de rotineiramente apelar à força do Estado demonstra, cada vez que a usa, evidente ilegitimidade.

Interessante notar que o uso prolongado da força estatal tem como efeito colateral desconectar o próprio governante da realidade da mesma forma que o povo por exposição prolongada ao pão e circo também se aliena.


Mas voltando à ilegitimidade do governante.

Fica patente seja por não ter apoio popular - pois se o tivesse a recorrência à força seria esporádica e não rotineira - ou por demonstrar absoluta incompetência em administrar conflitos. Devendo-se considerar que uma das faces mais importantes da política contemporânea é justamente a capacidade de bem administrar os conflitos decorrentes da complexidade social que se impõe.

Seja por um ou outro motivo o governante torna-se ilegítimo dentro de um cenário que se queira democrático.

Aqueles que moram em uma democracia formal - e muitos nem sabem que moram - argumentarão "Mas ele (o governante) foi eleito... logo o povo "deu" a legitimidade..." ou “O povo votou mal agora é tarde...” ou algo do gênero.

É verdade que foi assim no passado relativamente próximo. No tempo onde “rouba mas faz” parecia fazer sentido, contudo, o mundo atual exige muito, muito, muito mais que isso. Com créditos do rouba mas faz disputado entre Adhemar de Barros e Paulo Maluf.


A mera formalidade na política nunca atendeu demandas sociais e atender tais demandas é condição sem a qual não há legitimidade (e futuro) para o Estado/governante/político contemporâneo.

A legitimidade democrática inicia na eleição pelo povo dos seus representantes. Importante frisar que supõe-se uma eleição limpa, livre e democrática. Essa eleição é a parte inicial do processo político e nunca uma carta branca para o governante tomar como privado o que é público e reinar da forma que bem entender. Isso definitivamente tem que acabar.

É o que as ruas pedem sem pedir.


Quem pensa (ou age) na política atual dentro dos moldes ultrapassados ficará à margem dos rumos que a política do século XXI vem tomando. Observe atentamente. A forma de fazer comércio, as relações sociais, as transações financeiras, a comunicação, o lazer e tudo mais que exista nas relações humanas está sendo fortemente influenciado pela internet.

A política não ficará de fora.

Assim como a invenção da prensa por Gutenberg foi considerado por muitos o evento mais importante da era moderna a utilização massiva da internet é o evento mais importante desde a prensa.

O fato é que estão mudando os rumos da velha história.


Participe.

Excelente comentário do Jornalista Luiz Carlos Prates - Religiosos x Ateus

O vídeo é bem curto - dois minutos e meio - e muito interessante.
Assista.


Religião não é sinônimo de retidão de caráter.
Pode parecer óbvio mas muita gente ainda não entendeu.

Leia também:



7 de agosto de 2013

Cariocas Uber Alles - Josie and the PussyRiots



Esta é uma produção da banda Josie and the PussyRiots. Estamos apoiando e multiplicando. Curta o canal deles também:http://www.youtube.com/channel/UCaSmR...

Letra:

Eu sou o governador Sérgio Cabral
Muito cuidado, pois eu tenho o pre-sal
Ainda serei presidente

Meu P2 tá infiltrado
O molotov foi pro lado errado
Querem saber como vai ser na Copa?
Me diz depois, porque eu vou pra Europa
Me diz depois, porque eu vou pra Europa!

Cariocas uber alles!

Voltem pra sua UPP
Amarildo, cadê você?
Erradicaremos a pobreza
Matando pobres, mas que beleza

Ocuparemos as favelas
Com o evangelho de Marcelo Crivella
De lá de cima, uma bela vista
Do império de Eike Batista

Cariocas uber alles!

Sejam bem-vindos a 2016
Controlaremos todos vocês
Esse será o nosso regimento
Sob o controle de Capitão Nascimento

Bomba de gás e efeito imoral
Oposição aqui vai se dar mal
Não se preocupem, é só um choque ordem
Sem mais protestos ou todos morrem

Explodiremos os bueiros
Apagaremos os bombeiros
E se acham pouco, ainda tem mais
Depois de mim, Eduardo Paes
Depois de mim, tem Pezão e Paes!

Cariocas uber alles!

(versão para California Über Alles, composta pela banda punk californiana Dead Kennedys)

3 de agosto de 2013

A reação brasileira chega às ruas - Márlon Reis

O Brasil está submerso em manifestações. Nas duas últimas semanas as ruas de centenas de cidades foram tomadas por cidadãos motivados por temas diversos como o alto preço das tarifas de ônibus, a liberdade de investigação para Promotores de Justiça, o combate à corrupção e a Reforma Política.

Trata-se de um movimento sem precedentes. Na história da democracia brasileira, ainda recente, vivenciamos grandes momentos de manifestação popular apenas em episódios como a luta pela realização de eleições diretas para Presidente e a mobilização pela cassação do mandato presidencial de Fernando Collor de Melo, deposto em 1992.

Todas as grandes manifestações anteriores tinham como ponto comum a condução por líderes partidários e sindicais. Era uma mobilização piramidal, operada nas formas tradicionalmente presentes na política brasileira.

Agora o que se vê é bem distinto. O movimento que ocupa as ruas não tem líderes. Nem mesmo os administradores dos perfis e páginas dotadas de maior poder de mobilização podem ser considerados líderes capazes de reunir pessoas em torno de causas comuns. Eles operam, na verdade, como catalizadores de uma energia que não parte nem passa por sua capacidade de liderança. Operam como promotores de encontros, não como chefes. As ligações que provocam não são do tipo piramidal, mas conexões melhor descritas simplesmente como “redes”.

Não há líderes a serem identificados. Não existem bandeiras definidas, já que o objetivo não é formar ou substituir os partidos.

Todos têm em comum o mesmo objetivo de demonstrar sua existência e, mais que isso, sua dignidade cívica. Querem ser ouvidos. A rua grita para despertar espaços que, de instrumentos do exercício democrático do poder, foram convertidos em feudos marcados pelo exclusivismo e pela corrupção.

As manifestações sociais no Brasil revelam um novo modo de pensar e de agir. Está caindo por terra a tutela dos partidos políticos, ainda hoje marcados por estruturas caciquistas que responderam bem em tempos passados, mas que não tem qualquer significação contemporânea.

Curioso ver como como alguns partidos, que antes sempre estiveram à frente das mobilizações, não conseguem ver um grupo reivindicando algo sem dar início às suas estratégias hegemônicas.

Lembrei-me do Fórum Social Mundial, justamente concebido como espaço de vocalizações e encontros, e que os partidos de esquerda sempre tentaram em vão transformar em lugares para a conquista de adeptos.

Assim como no Fórum Social Mundial, os manifestantes que invadem as ruas brasileiras sabem perfeitamente que “outro mundo é possível”. Não lhes pergunte qual. Mas certamente concordarão se lhes disserem que certamente não é este que conhecemos.

Indaga-se sobre o futuro desse movimento. O medo maior é que ele desapareça sem deixar conquistas. Mas isso é impossível. Nem me refiro às medidas que o governo e o Parlamento já adotaram para acolher algumas das reivindicações. Romperam-se os paradigmas e isso basta. O povo brasileiro não é mais o universo de comodismo que se pensou.

Em julho de 2012 - há dois anos - o jornal El País perguntava: “¿Por qué los brasileños no reaccionan ante la corrupción de sus políticos?”.

Terá agora que refazer a pergunta.


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Observação do ParlatórioDoMaxx

Excelente e afinado com a realidade fora dos gabinetes no Brasil. Recomendo (muito) que visitem o site do Autor - que para nossa sorte autorizou a reprodução de seus textos por aqui. Vamos divulgar pois só através da formação e informação construiremos uma verdadeira democracia.


2 de agosto de 2013

Morreu Fernando Silva em decorrência do uso de "armas não letais" pela PM do Ditador Sérgio Cabral


Recebi através das redes sociais a notícia abaixo. Como é importante resolvi compartilhar.

"Morreu ontem em decorrência do uso abusivo de gás lacrimogênio e spray de pimenta Fernando Silva, ator e cantor, de 34 anos, fundador do Cinema de Guerrilha da Baixada.

A Globo censurou a razão da morte em sua matéria, mas pode ser conferido sem dúvida no vídeo do youtube. Ele acreditava que ia se recuperar e brada que irá voltar para cobrar a saída do Cabral.

É por isso que a frente da casa do Cabral está ocupada há 6 dias e assim continuará até ele cair. Câmaras municipais estão sendo ocupadas pelo país e as manifestações se mantém intensas, como pode ser conferido na mídia ninja.

O direito inalienável do ser humano à expressão de suas idéias está sendo violentamente cerceado no nosso estado e país. Quem está em casa certamente não sabe nem saberá o que está acontecendo.

Sobram opiniões e conforto, faltam participação e cidadania.



Vá em paz, guerrilheiro! Obrigado!

Enviado por > Carlos Guilherme Freatto Pellizzer Wolff

Geração Invencível: www.facebook.com/GeracaoInvencivel

Fernando Coelho"


Importante salientar que o gás que está sendo usado pela PM de Cabral no Rio de Janeiro foi comprado sem licitação e em desacordo com as normas que regulamentam seu uso (leia a parte final do post no link para entender melhor). Em outras palavras:

CABRAL MATOU MAIS ESSE CIDADÃO

Leia também:



24 de julho de 2013

Cadê você? Por Felipe Caruso

Mensagem de um pai ao "Governador" do Rio de Janeiro.

"Cadê você?

A Gabriela é minha Filha, o que me enche de orgulho. Ela estava num bar na Lapa e viu a polícia do governador agredir, sem motivo para fazê-lo, jovens nos bares.

Pois é, Serginho! Até hoje não falei de você em respeito ao seu pai, Sérgio Cabral, e a sua mãe, Magali a quem muito prezo. Contudo, você deixou que a sua polícia jogasse bombas na minha filha e nos seus amigos, quando estavam se divertindo num bar da Lapa. Um daqueles bares que o seu filho, que foi colega dela no Santo Ignácio, também frequenta.

Por que, Serginho? Você pensa que eles são vagabundos?

Não, Serginho! Vagabundo é você que nunca trabalhou na vida!

Você teve um cargo comissionado no gabinete do seu Pai por oito anos e nunca apareceu na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, nem para assinar o ponto. Lembra disso? Todos os funcionários da Câmara lembram.

Mas, esse é o seu modo democrático de ser. 

Assim que assumiu a presidência da ALERJ, o seu primeiro ato foi iniciar uma perseguição aos funcionários, dizendo que não admitiria funcionários fantasmas. Que coisa feia, fantasmão! Quis bancar o engraçadinho com o Governador Marcelo Alencar e ele ameaçou revelar a origem de suas propriedades em Mangaratiba e Angra dos Reis e você mudou de assunto.

Apareceu bêbado numa entrevista ao vivo, no sambódromo, falando da futura presidente Dilma e, logo depois instituiu as blitze da Lei Seca. Pergunto-me: Será que é mais perigoso dirigir bêbado um carro ou um Estado, mesmo a partir de um restaurante em Paris, com guardanapo na cabeça?

Nós sabemos que você ficou rico. Também sabemos que você não justificaria sua fortuna num País sério, mas quebra um galho quando mandar os seus macacos darem porrada nos colegas do seu filho. Fique em casa para a gente poder lhe encontrar, em vez de se esconder debaixo da saia da Dilma. 

Afinal, faz quatro dias que você não vai pra casa, seus vizinhos estão sentindo a sua falta.

Felipe Caruso"


Noam Chomsky e as 10 estratégias de manipulação da mídia

21 de julho de 2013

A velha política. O novo mundo. Tem que dar merda.

Durante o século passado tanto o volume acumulado quanto a velocidade de produção de conhecimento se deram de forma sem precedentes na história. Isso resultou em uma sociedade que usa diariamente recursos tecnológicos que seriam impensáveis poucas décadas atrás. O impacto se deu na medicina, na comunicação, no transporte, no trabalho e em todas as áreas de atuação humana. Com exceção de uma: a política.


Os políticos pouco (ou nada) mudaram. Sua forma de atuar continua sendo a mesma. O processo de formação do poder também não mudou. Chega a eleição e vários candidatos se apresentam. Fazem discursos ridículos com promessas que nunca serão cumpridas. O povo vota como um bando de bovinos nos matadouros. Elegem-se "os representantes do povo" que ao assumir seus cargos começam a planejar as formas de saldar suas dívidas financeiras de campanha. O dinheiro público desaparece nos ralos da corrupção. Os discursos se inflamam uns contra os outros como paladinos de porra nenhuma. Tudo continua como antes para o povo. Alguns grupos ficam milionários. Chega a outra eleição e tudo se repete.


Esse loop é sempre o mesmo dentro de um mundo que realmente mudou. Isso talvez seja a causa última da dissociação entre a política e a realidade. A política afirma falsamente que a sociedade está melhor enquanto a realidade que se apresenta é de uma sociedade abandonada e doente.


Grandes eventos sangrando o erário de um país que não consegue garantir educação e saúde de qualidade para seus cidadãos é mais que improbidade. Isso beira a esquizofrenia. A coisa é tão gritante que até o Vaticano resolver tirar uma casquinha e já está custando mais de 100 milhões de reais a visita do papa ao Brasil.

Surge a pergunta: Se continuarmos nessa trajetória como será nosso futuro???




10 de julho de 2013

Por que nossa política é tão burra?

Um vídeo curto e muito bacana feito pela Superinteressante.



Mas vejo como principal fator a falta de educação do eleitorado. Segundo informações do TSE aproximadamente 71 milhões de eleitores (com alto grau de certeza) nunca leram um livro.
O resultado prático não poderia ser outro diferente do que vemos.

6 de julho de 2013

Depoimentos sobre a violência da PM na casa do Ditador Sérgio Cabral em 04/07/2013

Vídeo postado por Vivian Padrão

No vídeo ela conta o que viu nas ruas quando estava indo da aula de teatro para casa. Como qualquer cidadão ela ficou indignada com a atitude claramente desequilibrada da polícia, do governador além omissão da imprensa.


Vídeo postado por Ana Amelia Mello Franco

Nesse vídeo além de detalhar os eventos ocorridos contra os manifestantes em 04/07/2013 Ana Amelia fala sobre quem é Sérgio Cabral, com quem ele anda e o que ele tem. Muito importante divulgar isso. Inclusive detalhes sobre crimes cometidos pelo ditador do Rio de Janeiro.



Vídeo postado por Ricardo Gama

Excelente levantamento de material que esclarece de fato o que aconteceu em 04/07/2013 segundo jornalistas que estavam presentes no exato momento em que a PM iniciou o ataque e posterior "caça" aos manifestantes pelas ruas.


Vídeo que mostra momento que começou a ação da PM contra os manifestantes. As luzes da orla foram apagadas, repetindo o que foi feito na Avenida Presidente Vargas poucos dias antes. A escuridão além de causar imenso risco para toda a população dificultava a identificação dos policiais que ficavam a vontade para cometer suas ações repressivas.


São muitos outros vídeos. Basta você buscar. Só assim podemos ter uma real visão do que está acontecendo pois a grande mídia (especialmente a Globo) continua agindo como sempre agiu. Ficando ao lado dos poderosos e mentindo.

Leia também:



2 de julho de 2013

Amanhã vai ser maior

Até quando fingiremos ter direitos que não conquistamos?
A resposta é: até quando deixarmos que assim seja.

A Fifa e a grande mídia, neste exato momento, estão rindo da cara do povo e contando seus milhões, pois agora acreditam que os protestos acabaram ou ao menos perderam muito de sua força. O Brasil foi campeão no futebol e a mídia muito sutilmente já decretou que na rua só tem baderneiro - o que justificaria a violência policial.


Esqueceram da internet que foi a motriz desse novo comportamento coletivo, não só no Brasil mas em todo o mundo. Em muitos outros lugares a insatisfação está se mostrando nas ruas. E se mostrando para o mundo em tempo real.

Não podemos esquecer que diante da fúria da multidão os governos e a grande mídia fizeram em bem pouco tempo mais do que pretendiam. Eles caíram em contradição, mudaram seu discurso, recuaram em suas posições autoritárias e até deixaram de passar a novela (isso nunca havia acontecido em mais de 40 anos de novela idiotizando o Brasil).


Baixaram as tarifas do transporte, votaram a PEC do MP, incluíram a corrupção no rol dos crimes hediondos, colocaram na pauta para votação vários projetos importantes de serem votados - alguns guardados nas gavetas por anos.

O próximo passo é cobrar do Ministério Público, da OAB e de quem mais for possível a punição dos excessos cometidos pela polícia, que sob as ordens de facínoras instalados no poder agiram para coibir o exercício constitucional da liberdade de expressão. Direito esse um dos pilares da democracia. Usaram bombas, balas e porrada para revogar a Constituição Cidadã. Todos os envolvidos nessa cadeia de inconstitucionalidade devem ser punidos.


As provas dessa grave ameaça à democracia estão na rede. As vítimas estão rede. A omissão por parte das autoridades responsáveis na defesa e fiscalização do cumprimento das leis servirá de combustível para outros protestos que crescerão de tom na violência de parte a parte.


Senhores e senhoras do Ministério Público. Chegou a vez de vocês mostrarem que o povo não estava errado ao defendê-los da PEC que os amordaçaria. Usem seu ofício em defesa do povo que protesta por um país melhor. Vocês agora terão a chance de se alinhar ao povo brasileiro na defesa do Estado Democrático de Direito. Não percam essa oportunidade.


E senhores governantes do Brasil, pode até demorar um pouco, mas saibam que a coisa só começou. Não tem Globo ou futebol ou violência que tire o povo da rota da democracia. O "seu querer" não vai se sobrepor eternamente ao "nosso precisar". Trabalhem direito ou serão dois milhões, três milhões, vinte milhões.

29 de junho de 2013

Eduardo Paes e Fifa. Mais um grave ataque à democracia.

Primeiro leia com atenção o comunicado do Prefeito do Rio, Eduardo Paes:


"Atenção

A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro através da Subprefeitura da Grande Tijuca comunicou em avisos distribuídos no comércio local que a Rua São Francisco Xavier (trecho entre a Rua Oito de Dezembro e a Rua Barão de Mesquita) e a Rua General Canabarro, também estarão interditadas ao trânsito e estacionamento de veículos no dia 30 de junho, das 13 horas até as 24 horas de Domingo. Além do esquema de trânsito já divulgado anteriormente, que continua a valer.

Só será permitido o acesso aos veículos de moradores mediante a apresentação de comprovante de residência ou credenciais distribuídas para acesso as ruas já interditadas anteriormente. Os pedestres também devem andar com comprovante de residência, já que a circulação a pé só será permitida a quem portar ingresso ou comprovante de residência na área interditada.

Atenção, ao sair de casa, leve conta de luz, telefone ou similar para evitar ser impedido de retornar."

Agora o texto constitucional:

"Artigo 5º, XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;"

Então, o que temos?

A Constituição diz que é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz. Não estamos em guerra declarada e a Tijuca (bairro do Rio de Janeiro próximo ao Maracanã) é parte do território nacional.

O Prefeito Eduardo Paes determina - sem justificar ou demonstrar a base legal - que as pessoas não podem andar pelas ruas citadas sem "portar ingresso ou comprovante de residência na área ... para evitar ser impedido de retornar".

O que está acontecendo com o Brasil? O que se passa na cabeça desses governantes?

Essa rota de colisão com o povo e com as leis - especialmente a Carta Política - que juraram defender quando assumiram seus postos não pode ser vista de outra forma senão como um ataque à democracia. 

Desse ataque faz parte a grande mídia que não mostra a realidade das manifestações, faz parte também todos os que se calam diante das arbitrariedades cometidas com a exclusiva finalidade de encher as burras de dinheiro às custas do erário.

Senhores governantes, torçam para que aconteça o tal golpe de estado que a oposição parece estar arquitetando, pois se não acontecer, será uma questão de tempo para que os senhores e os seus estejam respondendo por seus atos arbitrários nos tribunais.

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