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11 de julho de 2009

Constituição e realidade

O grau de civilidade de uma sociedade pode ser medido pela distância que existe entre o que diz o texto de suas leis e a realidade de seu povo.

No nosso caso chega a espantar. Quem lê a Constituição imagina um país que beira o paraíso, mas basta passar pela linha vermelha, no Rio, pra ver a distância.

Culpa do povo que fica totalmente alienado a espera de uma salvação sabe-se lá de onde.

O fato é que só o povo salva o povo...

A Fundação Sarney

Eu nem sabia que além de tudo o Sarney tinha uma Fundação e de acordo com a “Folha”, a entidade recebeu cerca de R$ 3 milhões de estatais nos últimos cinco anos. É bastante dinheiro.

Gostaria de saber o que essa fundação fez ou faz, mas não descobri.

4 de julho de 2009

Honduras

O golpe de estado em Honduras deixa claro o porquê daquele país ter um IDH de 0,714 ocupando o 117º lugar no ranking de desenvolvimento humano. Trata-se de um país cuja elite política está dissociada da atualidade ocidental, presa às décadas passadas, onde golpes e contra-golpes eram a forma comumente usada para alternância do poder. Mas tal formato não cabe mais no mundo atual.

Interessante notar que existe na história recente de Honduras um processo de democratização formal que foi rompido. Talvez o presidente deposto não valha grande coisa (não sei) mas o caminho tomado certamente será um forte retrocesso, não só para o país, mas para a região central das américas.

Tomara que a OEA tome medidas duras contra o governo que tenta se impor através das armas. A expulsão seria o mais adequado diante da situação.

20 de junho de 2009

Essa crise não é minha

Essa semana assisti perplexo o senador José Sarney afirmar em longo discurso que a crise do senado não é dele, é do senado. Referia-se aos "atos secretos" que foram denunciados pela mídia. Entre os beneficiados há seis parentes do citado senador.

Tudo bem, ele não tem nada com a crise. A culpa é do povo que vota mal, muito mal. Escolhe seus representantes de forma aleatória votando em qualquer porcaria que tenha dinheiro e fale meia dúzia de besteiras de forma convincente. O importante pra esse povo é a copa do mundo, o brasileirão, etc.

Dane-se o senado, os ilustríssimos senadores, os atos secretos. Importante é o título futebolístico, as aventuras do protagonista da novela, as músicas com rimas pobres e cantores milionários. Povinho alienado.

Aposto que na próxima eleição que o Sarney for candidato ganha de novo, e de novo e de novo. Ganha pra sempre, pois a alienação é a garantia de perpetuação nas entranhas do poder irresponsável.

24 de abril de 2009

Parentes no avião

O Congresso Nacional agora está discutindo se os parentes tem direito a usar a cota de passagens de avião do parlamentar.

Grande discussão.

23 de abril de 2009

Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa

Ontem, mais uma vez os ministros do STF Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa tiveram um desentendimento. Interessante a postura do ministro Joaquim Barbosa quando afirmou que Gilmar Mendes não anda nas ruas e está destruindo a justiça desse país.

O fato é que o Ministro Gilmar Mendes, atual presidente do STF, alinha-se à posições indefensáveis, como no caso da Brasil Telecom.

Semana passada Mendes afirmou que o STF não é só para os ricos e divulgou algumas estatísticas interessantes. Segundo o ministro, ano passado (2008) o STF julgou 350 habeas corpus, sendo que 18 eram de pessoas pobres. Infelizmente, nosso país tem a maioria da população formada por pessoas pobres, e dos 350 HCs só 18 eram referentes aos desfavorecidos. Tais números demonstram que Joaquim Barbosa tem razão. O presidente do STF não anda pelas ruas e está alienado da realidade do país, talvez pelo cinismo.

Joaquim Barbosa, mais uma vez, falou o que o povo falaria se tivesse visão e oportunidade - "Gilmar Mendes está destruindo a credibilidade da justiça desse país".

6 de abril de 2009

Calote

O Senado acaba de aprovar uma lei que, na prática, institucionaliza o calote dos entes públicos no Brasil, através da possibilidade do adiamento sem data para efetuar-se o pagamento dos precatórios.

Aqui, mais uma vez, ve-se claramente a palhaçada que é o legislativo brasileiro.

5 de abril de 2009

Crise

Faz algum tempo que não escrevo por absoluta falta de tempo, mas tenho visto coisas que não pude deixar passar em branco. Na reunião do G20 o Obama - mas não só ele - elogiou Lula rasgadamente como o político mais popular do mundo, além de estar o Brasil, realmente, numa situação tranquila diante da crise mundial que se arrasta ladeira abaixo em empréstimos para os homens e empresas mais ricos do mundo.

Eis que assisti algumas pessoas criticando o Lula por ele não falar inglês. Pois bem, se o presidente é do Brasil e aqui se fala português, deve o mesmo discursar em português, para que o povo brasileiro, que paga seu salário, o elegeu, e por ele é representado, entenda o que ele está falando.

Pode-se gostar ou odiar o Lula, mas deve-se admitir que com ele o Brasil começa a mudar, e se não está melhor, é que temos em nossa classe política vícios seculares que sugam as energias públicas e secam seus cofres.

É verdade que o Lula não fala inglês, porém os presidentes anteriores eram fluentes em várias línguas e nosso país se afundava em dívidas cobradas nos mesmos idiomas falados na sede do planalto.

Finalmente, o Lula não discursa em inglês, nem o Obama discursa em português, mas parece bem claro que os dois se entenderam, e isso é o mais importante.

5 de janeiro de 2009

O Mercadinho Planetário

Quero crer que a sociedade humana é algo mais que o mercadinho planetário que vemos e vivemos diariamente. Associados de tal forma estão os conceitos de cidadão e consumidor que chegamos ao ponto de, inadvertidamente, achar que o fartamente divulgado processo de inclusão social é real.

Pergunta-se: inclusão de quem? Inclusão em que?

Antes de se chegar às possíveis respostas tenha em mente que (a) o capitalismo necessita de uma reserva de “excluídos” para manter baixos os níveis salariais, portanto qualquer suposto grupo “excluído” não é resultado de uma distorção do sistema e sim premissa do próprio sistema, e (b) estar fora da sociedade de consumo de massa não significa que o cidadão não exista para a sociedade, ele faz parte da mesma, tendo, contudo, seus próprios códigos comportamentais, o que faz parecer, num primeiro momento, que está “fora”, eis que suas respostas são dadas em desacordo com o padrão esperado pelos que estão “dentro”.
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